Impermanência

Pouco depois que o verão acabou, volumosas nuvens passaram a entrar com maior frequência na baía de todos os santos. Atraída por esse fenômeno, Ana passou a observar com atenção essas densas formações de ar, e assim o céu azul chapado que pintava anteriormente foi dando lugar as nuvens que pairam sobre o mar e, ao mesmo tempo, indicam um estado passageiro, de transição para uma outra condição.

 

Para a artista, as nuvens são como seres nômades, que sentem essa “necessidade” de mover-se e de continuar seguindo em frente para um outro local. E quando tornam-se densas o suficiente por terem acumulado bastante umidade pelo caminho, se desmancham em estado líquido, saindo da sua configuração meio que escultórica e pesada, diluindo-se, tornando-se água.

 

Impermanência é uma série de pinturas em desenvolvimento onde os anseios e inquietações sobre a efemeridade e a transitoriedade da artista são transpostos para a tela como paisagens construídas e imaginadas. O exercício de olhar para o horizonte de maneira constante, a fez pensar que nada é imutável, que as transições são necessárias para manter o fluxo da vida. No caso das nuvens retratadas, elas indicam que algo vai acontecer, mas este algo é temporário … e depois da tempestade, existe uma expectativa de que um céu azul, claro e leve vai surgir até novas nuvens chegarem.

Ana Sant'Anna