Fragmentos

O isolamento mudou a percepção daqueles que tiveram a oportunidade de permanecer em casa durante a pandemia. Isto porque o dia a dia da rua, casas e prédios, passou a ser conhecido por muitos, algo que antes talvez não fosse possível. Nesse contexto, conviver com ruídos e barulhos de obras feitas em apartamentos e edifícios vizinhos integraram a rotina da artista durante alguns meses.

 

Intrigada com a frequência dos sons provenientes destas constantes construções, certo dia, Ana deparou-se com os destroços de uma reforma no seu edifício. Sacos e mais sacos de antigos revestimentos foram deixados no corredor do prédio, ficando ao alcance daqueles que circulavam pela área comum.

 

Guiada pelo seu interesse de coletar objetos, a artista recolheu cacos de piso de dentro do entulho e retratou-os nesta série de imagens. Nas capturas, estes resquícios apresentam uma espécie de história, contada visualmente através das linhas e formas dos revestimentos. Esvaziados da sua função primeira, os cacos brancos despedaçados narram os vestígios das memórias, do desgate e da passagem do tempo.